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  Depressão  
     
  A tristeza que persiste  
 

A depressão é a doença da tristeza que não passa. Um mal que já afetou, afeta ou irá afetar cerca de 15% da população mundial e que, se não tratado, abala as relações familiares e de amizade, o trabalho, a vida sexual e a disposição para a vida. Pode levar à insônia, ao abuso do álcool, às drogas e aos tranqüilizantes.

A doença do vazio e da apatia tem causas multifatoriais. Ou seja, muitos fatores podem acarretar uma depressão. A genética é uma delas. A separação, a perda de um emprego, uma crise conjugal ou até um assalto podem deflagrar a depressão. Além disso as vivências prévias do indivíduo, normalmente aquelas ocorridas no início da infância ou da adolescência, podem deixar marcas que predispõem a pessoa para a doença. São vivências ou traumas que passam por abusos sexuais ou conflitos domésticos. A cara da doença pode ser a mesma, mas a origem é diferente, e o tratamento também pode variar.

Qualquer um desses fatores pode desencadear um desequilíbrio na serotonina e na noradopamina, dois neurotransmissores cerebrais - essas substâncias são responsáveis por realizar ligações químicas no cérebro. Quando alterados, os neurotransmissores fazem a pessoa desenvolver depressão. Regular o nível dessas substâncias é tarefa para os antidepressivos.

Os antidepressivos não são boletas que a pessoa toma e fica eufórica, como o LSD e o ecstasy. Elas só funcionam em pessoas que têm depressão.

O tratamento da depressão varia conforme o diagnóstico. Quando o quadro é de depressão severa, o tratamento não dispensa medicamentos. Se a depressão for considerada leve ou moderada, às vezes a psicoterapia pode reverter o desequilíbrio.

Somente se internam em hospital casos gravíssimos, com risco de suicídio, lembramos ainda que problemas psiquiátricos como psicoses e transtornos obsessivos compulsivos, alimentares ou de personalidade, também podem levar, secundariamente, ao desenvolvimento da depressão. 

A FAMÍLIA PODE AJUDAR

O papel da família é fundamental na recuperação de um depressivo. Os familiares devem estar conscientes de que os comportamentos são originários de uma doença, e não de uma fraqueza moral, vadiagem ou inércia. Por ser doença, a depressão pode e deve ser tratada. A melhora não depende diretamente da família, mas ela pode ajudar:

- Tente manter um relacionamento normal com o doente.

- Reconheça que a pessoa está sofrendo.

- Não espere que a pessoa melhore repentinamente.

- Demonstre afeição, ofereça palavras reconfortantes e faça elogios.

- Ajude a pessoa a procurar tratamento. Se achar necessário, acompanhe-a em suas consultas.

- Não deixe que a pessoa falte a suas consultas médicas nem esqueça de tomar a medicação na hora certa.

- Mostre que você respeita e valoriza a pessoa.

- Depressão não é preguiça, falta de caráter ou de vontade. Não adianta pedir ao paciente que reaja.

- Ofereça-se para fazer pequenas obrigações, como levar o cachorro para passar, lavar louça ou cozinhar. Lembre-se que a pessoa não está sendo preguiçosa por não fazer esse tipo de coisa. No auge da depressão, até levantar da cama se torna uma tarefa difícil.

- Ajude a pessoa a manter-se ocupada, um integrante ativo da família.

- Convide a pessoa para um passeio, um filme ou qualquer atividade que ela costumava gostar.

- Aprenda sobre a doença. Quanto mais souber, mais poderá ajudar. Informação é poder e compreensão.

- Atitudes paliativas como vitaminas, viagens e presentes não curam a doença.

- Não critique, atormente ou censure a pessoa por seu comportamento deprimido.

- Leve a sério conversas, ameaças ou tentativas de suicídio. Informe o fato imediatamente ao médico ou ao profissional responsável. Fale com clareza e sem medo com o paciente sobre as idéias de se matar.

- Entenda que o antidepressivo mais caro não é, necessariamente, o melhor. O doente terá de buscar com o psiquiatra a melhor medicação para o seu caso.

SINAIS DA DOENÇA

Os sintomas da depressão podem variar de pessoa para pessoa. Um sinal é quando alguém alegre e sociável se torna irritável e retraído, ou perde o interesse por atividades que antes eram apreciadas. Conheça os sintomas da doença observados com maior freqüência:

- Perda de interesse em atividades anteriormente prazerosas

- Insatisfação com a vida

- Crises de choro

- Ansiedade

- Afastamento das atividades sociais

- Perda de energia

- Perda de interesse sexual

- Sensação de desamparo ou desesperança

- Irritabilidade

- Grande preocupação com problemas de saúde (excesso de consultas médicas e de uso de remédios)

- Tristeza

- Dificuldade de concentração

- Negligência com a aparência

- Perda ou ganho de peso, insônia ou sono exagerado

- Abuso de substâncias prejudiciais como álcool, drogas ou tranqüilizantes.

 
     
  Fonte:  
  Jornal ZH, tendo como colaboradores os psiquiatras Dr. Nélio Tombini e Flávio Kapczinski.  
     
 
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